Avisos:

Já tentou ser feliz hoje? O que está esperando? Não espere a felicidade bater na sua porta, saia a procura dela.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

The Aliance #3


Nova equipe

Jason fica pensativo, tem recordações das últimas palavras de seu mestre, as quais foram para proteger Verônica, sente-se culpado por não ter conseguido cumprir a promessa, em um momento de fúria, joga a taça de Whisky no vidro da parede da sala, todos permanecem calados, aguardando sua resposta.
- Quando partimos? Pergunta ele enquanto observa os funcionários trabalhando na mudança da sede da Aliança.
- Amanhã. Responde Calisto.
- Sabem onde ela está?
- Temos uma ideia. Vamos seguir seus últimos passos. Ela deixou rastros.
- Acham que os obscure tem algo haver com seu desaparecimento?
- Talvez... A chance é grande.
- Montamos uma equipe pra você liderar nesta missão.
- Já disse. Trabalho sozinho.
- Nossa nova política não trabalha assim mais Jason. Você terá uma equipe. Chega de trabalhar sozinho. Diz Calisto.
- Partirei amanhã. Com ou sem equipe. Diz Jason saindo da sala aborrecido.
- Jay! Espere... Diz Calisto acompanhando-o.
Jason finge não escutar e abre a porta, Calisto o segura pelo braço tentando-o impedi-lo de sair.
- Me solte! Exclama Jason puxando se braço.
- Jay...
- Eu saio em missão por alguns meses e você põe a vida da Verônica em risco?
- Não fiz isso. Ela quem decidiu ir nessa missão. Eu fui totalmente contra.
- Mentira! Não pensou duas vezes antes de manda-la pra aquele inferno!
- Jason. Não importa o que eu diga, você não irá entender. A Verônica é teimosa, nada que eu fizesse a faria mudar de ideia. Nada!
- Boa noite Calisto. Diz Jason entrando no elevador.
- Seus aposentos estão no 23° andar... Quarto 147. Diz Bill antes que a porta do elevador se feche.
- Ele não te lembra...
- Sim. É igualzinho a ele.
- Quando será que ele vai aceitar que o David está morto?
- Nunca encontramos um corpo Bill.
- Ah até você Calisto? Vai me dizer que também acredita nessa ideia de que o David sobreviveu?
- Nunca saberemos.
- Ele se desintegrou simplesmente isso. Por isso não houve corpo algum. Diz Bill enchendo a taça de vinho.
- Como eu disse. Não temos certeza de nada.
- E por que não diz isso ao pupilo dele?
- Não quero alimentar esperanças no garoto... Ele, aos poucos, está superando a perda de seu professor... Na verdade... O David era mais que um mentor para o Jason, ele foi como um irmão mais velho.
Em seu aposento, Jason fica acordado pensativo em sua cama, tem lembranças de quando estava treinando com seu mestre, seus ensinamentos e sermões.
- Você tem que concentrar toda sua força em cada centímetro do seu corpo. Diz David.
- É difícil fazer isso com você sendo meu oponente. Responde Jason caído no chão.
- Por que? Acha que sou demais pra você?
- Não é isso. Pelo contrário, só não quero te machucar.
- Seu pirralho metido. Acha mesmo que consegue me derrubar?
- Não. Tenho certeza.
- Pois pode vir com tudo que tem. Pode vir.
- Não posso, você é meu mestre, devo-lhe respeito.
- Neste momento sou seu oponente.
- Mas continua sendo meu mestre. Isso é um fato incontestável.
David sorri, agacha e senta-se a sua frente, puxa a gola de sua camisa e mostra uma cicatriz em seu peito.
- O que foi isso?
- Isso, foi quando eu hesitei em atacar uma mulher possuída por um Poltergeist.
- E por que você hesitou?
- Por que ela era uma de nós. Uma Valcon, uma das melhores, e eu a admirava muito.
- Nossa... E o que você fez?
- Nada. Não consegui fazer nada. Não movi um músculo sequer, então ela veio pra cima de mim, me nocauteou e quando acordei... O meu erro tinha custado a vida de quinze pessoas inocentes.
Jason fica surpreso, David fica pensativo, como se lembrasse do acontecido, coloca a gola no lugar e se levanta.
- Coroa... Eu...
- Em batalha, não pense duas vezes em lutar contra o mal. Mesmo que esse mal esteja possuindo alguém que ama. Pois você pode achar que estará o protegendo decidindo não o atacar, mas na verdade é o contrário, pois depois que ela recobrou a consciência e viu as atrocidades que ela havia feito, ela sacou uma arma e deu um tiro na própria cabeça.
- Mas você não esta possuído pelo mal agora.
- Mas e se eu estivesse? O que você faria?
- Jason? Jason? Esta acordado? Pergunta Bill batendo na porta de Jason, o acordando.
- Agora estou, é você Bill?
- Sim. Já amanheceu. Vamos partir logo, prepare-se.
- Ok.
- Quando terminar de se arrumar, um soldado aqui fora o levará para sala do Magistrato, iremos planejar a missão, e você irá conhecer os membros da sua equipe.
- Vocês ainda com essa ideia?
- Estamos o aguardando.
Jason coloca seu sobretudo preto, seu chapéu e arruma seus utensílios de combate, guarda cuidadosamente seu punhal e vai acompanhado de um soldado Valcon até a sala da inteligência da Aliança, o Magistrato.
- Estão todos prontos? Quero partir o quanto antes. Diz Jason ao entrar na sala.
- Espere Jason. Tenho que lhe apresentar seus companheiros de equipe. Diz Calisto levantando da mesa.
- Já disse que não pretendo trabalhar em equipe. Só vão me atrapalhar, eu não quero...
De repente, alguém salta sobre a mesa e ataca Jason, que bloqueia o golpe com seu punhal, o agressor é um indivíduo usando uma roupa camuflada preta e uma máscara, o mesmo saca duas lanças e volta a atacar Jason, que revida com um chute, automaticamente o individuo bloqueia, absorvendo o impacto e revida chutando o rosto de Jason, que quase perde o equilíbrio.
- Quem é você? Pergunta Jason com um olhar desafiador.
Todos na sala ficam calados, aparentemente tensos mas sem se mover, não interferindo na luta em momento algum, o indivíduo dá duas cambalhotas na direção de Jason e finaliza com mais um chute, bloqueado por ele.
- Sophi! Exclama Jason, invocando a energia do seu punhal, ativando-o, o mesmo cria um brilho intenso em seus símbolos.
Porém, antes mesmo que Jason fizesse qualquer movimento, o individuo golpeia sua mão, obrigando-o a soltar o punhal, ao tentar recupera-lo do chão, Jason é rendido por ele, que coloca sua lança no pescoço dele, Jason fica imóvel.
- Droga... Resmunga ele perplexo.
- Jason... Quero lhe apresentar uma integrante de sua equipe. Diz Calisto.
- O que...
- Jessy Rolms. Conclui Calisto.
Nesse momento o indivíduo retira a mascara e revela seu rosto, que na verdade é uma mulher muito atraente de cabelos negros, pele clara, olhos castanhos e lábios carnudos, ela olha nos olhos de Jason como se o afrontasse.
- Esperava mais de você... Agente Jay. Diz ela.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

The Aliance - Episódios











Sinopse

The Aliance, é uma organização milenar a qual defende a humanidade dos seres da escuridão, mantendo tudo em completo sigilo, seus guerreiros são os Valcons, semi-humanos com poderes sobrenaturais, entre eles super força, capacidade de evocar magias, especialistas em artes maciais, alta agilidade e uma inteligencia extraordinária. O protagonista, Jason Horkis, um Valcon ainda inexperiente esta em busca do seu mestre desaparecido após um acontecimento chamado "O evento", enquanto trilha sua busca, realiza missões contra os seres das trevas se deparando com o horror que eles causam na humanidade.

The Aliance #2


"De mudanças"

Três indivíduos sentados em uma mesa de xadrez, dois deles disputando uma partida, enquanto o terceiro apenas observa atentamente, ambos homens bem vestidos, de boa aparência e com olhares inofensivos.
- Sua rainha está desprotegida. Diz o indivíduo de longos cabelos vermelhos e terno alaranjado.
- Meu peão cuidará disso.
- Tem certeza disso?
- Absoluta.
- Mais um de seus generais caiu. Já foram três só nas últimas semanas.
- Eles tiveram o que mereciam. Só os fortes prevalecem... Seu rei parece vulnerável.
- Impossível.
- Soube que um grupo das suas experiências se formou... Estão tramando algo. Sabe algo a respeito?
O homem de terno laranja ficou parado por alguns segundos após ouvir a pergunta, logo pegou uma das peças e fez um movimento, se recostou na cadeira e deu um curto suspiro.
- Não.
- Um deles parece ser bastante peculiar... Seus feitos chamaram a minha atenção.
- Não sei do que está falando. Você está acabado.
- Acho que não. Check.
- Hum... (Ele fica em silencio por alguns instantes e leva a mão ao queixo) Não é meu dia de sorte. O que vai fazer em relação aos Valcons?
- Deixe que pensem que estão ganhando. A decepção da derrota será ainda mais devastadora.
- Enquanto aquele garoto?
- Quem? Pergunta ele levantando-se da cadeira.
- O pupilo do Collins.
- Há... Ele não representa nenhuma ameaça.
- Ele já matou três dos nossos generais. Como pode afirmar isso? Pergunta o terceiro homem com uma voz calma.
- Deixem-no pensar que é poderoso. Tenho planos para ele.
- Talvez devêssemos dar um fim a esse jogo. Diz o homem de terno laranja.
- Não. O jogo está apenas começando.
Todos começam a rir, e suas sombras formadas na parede, mostram suas verdadeiras formas aterrorizantes, cada um deles possuem chifres enormes em suas cabeças.
Enquanto isso, Jason dorme dentro do carro, começa ter um sonho que mais parece uma lembrança, ele está mais jovem, caminhando em uma rua longa, a sua frente um homem usando um sobretudo semelhante ao seu, ele tenta cada vez mais alcança-lo, porém seus passos não conseguem acompanha-lo, ele inicia uma corrida mas parece que o homem fica cada vez mais distante, então o homem misterioso para, e aos poucos vai se virando e uma luz muito forte sai de seus olhos e nesse momento Jason acorda.
- Pesadelos? Pergunta o homem a sua frente no carro.
- Não sei ao certo. Responde ele olhando a janela com um olhar distante.
- Tem dormido direito?
- O bastante.
- Você é um péssimo mentiroso.
- E você é um péssimo psicólogo.
- Tuchê.
- Falta muito?
- Não. Já chegamos.
Jason olha pela janela, o carro em que ele está entra em um galpão abandonado, imediatamente ele estaciona no meio do galpão e todos descem do veículo.
- Quando se mudaram? Pergunta Jason.
- Desde “O evento”.
- Todos?
- Um terço do nosso departamento.
- Entendo...
- Você sabe... Tivemos muitas perdas.
- Sim. Eu sei.
- Desculpe Jason. Não foi o que eu quis...
- Tudo bem Bill. Vamos descer.
O motorista vai até um contêiner no fundo do galpão, põe a palma da sua mão direita na porta do contêiner e uma leitura digital acontece, logo após isso, uma luz infravermelha digitaliza seu rosto e escanceia sua retina, em seguida Bill faz o mesmo, logo é a vez de Jason.
- Ok. Faz tempo... Diz ele pondo sua mão no leitor digital.
- Reconhecimento completo. Bem vindo agente Horkis.
- Obrigado... Jen...
A porta do contêiner se abre, dentro dele, uma escada vai se formando para o subsolo, todos descem e param em frente a um elevador, o silêncio permanece, enquanto o elevador desce, Jason observa os andares em que eles vão passando, tudo parece ainda estar inacabado, como se estivessem de mudança, se readaptando a um novo lugar, eles estão descendo para o último andar abaixo, a porta abre-se.
- Chegamos.
Eles caminham lado a lado em direção a uma porta, no topo dela está escrito Nipe, Jason lê com indiferença e Bill abre a porta. Eles entram em uma grande sala, parece um escritório gigantesco, ao centro, um homem sentado em sua mesa de costas para eles, Jason dá um longo suspiro, o homem vira o torço levemente.
- O filho pródigo a casa retorna. Diz ele.
- Calisto... Diz Jason.
- Jason Horkis. Diz ele se levantando e indo em sua direção.
Um clima tenso toma conta do local, Bill e o motorista se afastam lentamente de Jason, o homem aproxima-se e para em sua frente.
- Vem cá seu moleque! Diz ele o abraçando forte.
- Ei! Não aperta forte assim!
- Você cresceu hein? Andou tomando alguma coisa? Pergunta Calisto.
- Claro que não. Você que parece muito bem... Senhor Nipe.
- Pois é... Depois do “Evento” eu acabei assumindo o posto.
- Você mereceu.
Calisto é um homem negro e muito alto, tem um braço mecânico implantado após perde-lo em batalha, ele é um Nipe, o terceiro na hierarquia Alianciana, cuida dos casos que exigem força bruta, especialidade em artes marciais e ocultismo, era grande amigo do mestre de Jason.
- Sabe moleque... O Collins ficaria muito orgulhoso de você.
- Ele ficará. Afirma Jason com convicção.
- Jason... Já conversamos sobre isso...
- Não importa o que digam. Eu sei que ele está vivo. É por isso que estou aqui. O Bill me disse que vocês obtiveram pistas sobre ele.
- Bem... De certa forma sim. Mas...
- Onde está a Verônica?
- Jason. Sente-se.
- O que está acontecendo? Onde ela está?
- Faça o que ele disse Jay. Diz Bill com um olhar preocupado.
Jason se senta, todos fazem o mesmo, a tensão toma conta da sala, Calisto pega uma taça e enche de Whisky, bebe um gole e olha para  Jason.
- Depois do “Evento” há cinco anos atrás, a nossa organização teve grandes perdas, não só em poder bélico mas também financeiro, grandes dos nossos fornecedores e financiadores, ou foram misteriosamente assassinados, ou simplesmente pararam de nos ajudar.
- Possessões demoníacas. Interrompe Bill.
- Exatamente. Após seu mestre ter feito o que fez, houve aparentemente um grande desequilíbrio entre os três reinos, e assim, como você mesmo já sabe... acabou se formando um quarto reino...
- O Limbo. Completa Jason.
- Sim... E isso desencadeou centenas de casos e distúrbios sobrenaturais em todo o mundo, tivemos perdas em todo nosso território, simplesmente os seres das trevas parecem estar se multiplicando cada dia mais, semana passada tivemos um caso de três Lycans juntos em Nova York, algo nunca visto antes em mais de três mil anos de Aliança.
- Lycans não andam em grupo. Eles são territoriais, portanto o que presenciamos foi algo até o momento inédito e perturbador.
- Acha que isso tem relação com... “Aquilo”?
- Não temos dúvidas. Conseguimos manter o controle... Até que...
- Até que?
- Eles reapareceram.
- Eles... Quem?
- Aqueles que reinam na escuridão... E se alimentam dela dentro dos humanos.
- Os Obscure. Diz Bill.
- Não... Pode ser... Diz Jason perplexo.
- Sim. É verdade.
- Impossível! O David matou o ultimo deles!
- Parece que não foi bem assim.
- Onde está a Verônica? Ela estava lá! Ela pode ter explicações sobre...
- É aí que ela entra na história... Diz Calisto virando a taça e bebendo todo Whisky.
- O que? O que você quer dizer? Onde ela esta?
- Bem...
- Calisto... Onde... Ela... Esta?! Exclama Jason se levantando.
- Não... Sabemos. Ela saiu em missão dizendo que era tudo culpa dela e que tinha que dar um fim nisso.
- Como assim? Pra onde ela foi?
- Ela foi... Em busca dos Obscure.
- O que?! Não pode ser! E você deixou?! Diz Jason aos berros e avançando sobre Calisto.
- Ela não me ouvia... Mandei cinco dos meus melhores homens com ela. Mas não tive mais noticias de nenhum deles.
- Como você pode... Eu prometi ao David... Prometi que a protegeria...
- E você continuará protegendo... Pois sua missão é encontra-la.

domingo, 21 de setembro de 2014

The Aliance




 Um vento frio arrepia cada centímetro de seu corpo, ele caminha em direção a uma casa, a rua esta vazia, já é tarde, provavelmente todos estão dormindo, ele enfia a mão em seu bolso e retira um charuto, dá uma longa tragada enquanto olha atentamente para lua amarela e brilhante.
A passos curtos ele se aproxima da casa, antes mesmo que toque a campainha, um homem abre a porta lentamente e o encara com um olhar de medo. Os dois se olham por alguns segundos.
- Onde ela está?
- Na sala.
Levemente, ele empurra o homem e adentra a casa, lá haviam mais três pessoas, duas mulheres e um segundo homem, todos parecem assustados e com olhares desconfiados.
- Espere... Não é seguro... Diz o homem.
Ele para, todos ao seu redor ficam calados, um clima tenso fica cada vez mais sufocante.
- Fiquem lá fora. Não entrem em hipótese alguma. Diz ele caminhando até a sala.
Eles olham uns para os outros, a mulher beija um rosário enquanto a outra se desfaz em lágrimas.
- Não entenderam? Fora!
Todos saem apressados, a sala estava repleta de crucifixos, as janelas estavam embaçadas, um ar gelado e sombrio, no centro, em sentada em uma cadeira, uma garota que aparentava ter entre dezesseis a vinte anos, cabelos negros e pele pálida, estava de costas para ele, não se movia, ao se aproximar ele nota que suas mãos estão amarradas a cadeira, ele dá um passo para trás.
- Está confortável? Pergunta ele.
Ela permanece calada e imóvel, ele se senta no sofá e dá mais uma longa tragada em seu charuto, mas sutilmente observa os dedos machucados e sem unhas da garota.
- Se quiser, conheço uma boa manicure que pode dar um jeito nisso.
A garota continua em silêncio.
- Sério. Ela faz um ótimo trabalho. Da última vez ela me tirou uma unha encravada que estava me incomodando há anos e...
- Quem... É... Você? Pergunta ela com uma voz sinistra, as luzes da sala piscaram enquanto ela falava.
- Há... Então você fala. Mas parece que está com um probleminha na garganta. Conheço uma bala de menta que olha... É Santa!
- Quem é você?! Exclama ela com uma voz ainda mais sinistra.
- Desculpa. Não me apresentei. Meu nome é Jason... Jason Horckis.
- Então senhor Horckis... Espero que vá embora agora, antes que se machuque.
- Você não me disse seu nome. Retruca Jason dando mais uma tragada.
- Há-Há. Muito esperto.
- O que? Não vai me dizer? Isso é falta de educação sabia?
- Eu sei quem você é. Senti seu fedor de putrefação a quilômetros daqui.
- Sabe? Então por que perguntou meu nome?
- Por que gosto de saber o nome de quem vou matar.
- Há sei... Entendo. Faz sentido. Respeito isso.
- Farei você se afogar com o próprio sangue, terei prazer em vê-lo agonizar diante de mim, implorando que eu termine sua dor.
- Acho que isso não vai acontecer.
- Acha mesmo que estas cordas podem me segurar. Eu já poderia tê-lo matado, você e estes macacos lá fora.
- Você esta bem falante agora.
- Há-há-há-há-há! Estas paredes ficaram manchadas por seu sangue podre e suas vísceras nojentas! Há-há-há-há!
- Ninguém vai morrer esta noite. Nem mesmo você.
- É obvio que eu não morrerei! Irei pisar sobre seus cadáveres e tomarei uma taça de seu sangue.
- Você não vai morrer. Só vai voltar pro seu devido lugar.
- Vocês Valcons são todos iguais. Chega de conversa...
A casa começa a tremer, as luzes acendem e apagam, um a um os crucifixos vão caindo da parede e as cordas que a prendiam na cadeira entram em combustão, Jason parece não se incomodar com o ocorrido, pelo contrário, dá mais uma longa tragada em seu charuto.
Ela se levanta da cadeira e aos poucos vai se virando, quando finalmente seu rosto pode ser visto claramente, totalmente desfigurado, olhos vermelhos e feridas por todo seu corpo, aparentemente feitas por ela mesma, a casa inteira treme, todos do lado de fora se apavoram e saem correndo para longe, Jason se levanta calmamente e joga fora seu charuto, com um olhar debochado diz:
- Parece que diplomacia não funciona com vocês mesmo. Pois bem... Isso é ótimo.
- Eu vou arrancar seu intestino e joga-los para os meus cães! Exclama ela levitando e destruindo o telhado da casa.
- Já disse. Não vai rolar. Diz ele retirando um enorme crucifixo de prata de seu sobretudo.
- Seu Valcon imundo! Ela avança sobre ele com uma feição demoníaca.
Jason aponta seu crucifixo que gera uma grande luz, lançando o corpo dela para o chão, correntes brilhantes surgem e cobrem seu corpo, ela grita com uma voz aterrorizante.
- Acho que agora sim você está confortável. Debocha Jason.
- Nós dois sabemos que isso não irá me impedir! Exclama ela tentando se levantar.
- Eu sei. Só usei isso para ganhar tempo. Diz Jason retirando do bolso um pequeno livro.
- Está falando sério? Exorcismo? Pergunta ela a gargalhadas.
- Ué? Tem outra sugestão?
- Vocês são ridículos. Sua inferioridade me causa náuseas.
- Ok. Vamos lá.
Antes que Jason comece a ler, todas as páginas são arrancadas por um vento causado pelo demônio.
- Acho que seu exorcismo... “Não vai rolar!”. Ironiza o demônio a gargalhadas.
- Bem. Então você quer pelo jeito mais difícil... Tudo bem. Admiro sua coragem. Diz Jason jogando a capa vazia do livro.
Jason ajoelha em cima da garota, agarra seu rosto demoníaco e olha em seus olhos vermelhos como sangue, as paredes da casa estão prestes a ruir, seu sobretudo flutua com o vento forte que vem do corpo da garota.
- Está brincando comigo Valcon imundo! Acha mesmo que pode fazer isso?! Eu vou te destroçar!
- Você não me deu outra escolha.
- Então entre! Vamos! Ficarei com a sua alma também! Vou te estuprar por toda eternidade!
- Desculpa ai. Mas eu prefiro loiras.
- Há-há-h-há! Isso vai ser divertido!
- Não tenha tanta certeza disso! Diz Jason olhando fixamente para os olhos dela.
Os olhos de Jason ficam negros como a noite, uma sombra toma conta de seu rosto, e uma energia obscura fica entre seus olhos e os olhos do demônio, de repente ele está em outro local, um ambiente tenebroso, um céu vermelho, ruínas e chamas negras por toda parte, ele está em outro lugar, um lugar onde habita todos os demônios que ficam entre a terra e o inferno, ele está no Limbo.
- Bem vindo! Agora você está no meu território... Valcon! Diz uma voz sombria.
- Faz tempo que não venho a este lugar. Está meio caidinho. Diz Jason sorrindo.
- Há-há-há. Muito engraçado. Até parece que você já veio aqui e conseguiu regressar. Um reles Valcon comum como você jamais conseguiria este feito.
- Estou vendo que você não me conhece mesmo.
- Bem... Não se preocupe... Teremos muito tempo pra nos conhecer... Teremos toda a eternidade... Já que a sua alma JAMAIS sairá deste lugar. Pena que eu logo irei conseguir entrar de vez na Terra, mas meus irmãos farão companhia para você.
- Desculpe. Eu não curto muito cheiro de enxofre no meu cangote. Vou recusar a oferta.
- Há-há-há... Estou cansado das suas piadinhas... Vou fazer você chorar sangue e vomitar o próprio estomago! Diz o demônio surgindo a frente de Jason.
Sua verdadeira forma é aterrorizante, um ser de três metros, chifres enormes e olhos em chamas, dentes afiados, uma calda cheia de espinhos, azas enormes e garras mortais.
- Trema diante de Aberrátio! Exclama o demônio estufando o peito.
- Finalmente deu as caras. Você é mais feio que o último. Vocês tem alguma competição interna de feiura? Se tiver, até o momento você saiu na frente. Parabéns.
  - Inseto! Grita a criatura dando um soco na direção dele.
Jason desvia do golpe facilmente, sacando um punhal com símbolos cravados em sua lamina, Jason mudou sua feição, agora parece concentrado e com um olhar letal, o demônio percebe essa mudança.
- Valcon... Maldito! Exclama ele com um rugido ensurdecedor e avança na direção de Jason.
Jason salta sobre a criatura arrancando um de seus enormes chifres, que fica cravado sobre o chão, Aberrátio fica enfurecido com isso e novamente avança contra ele.
- Como ousa! Exclama o demônio enfurecido.
Jason desvia de todos os seus golpes, Aberrátio o ataca tanto com suas garras quanto com sua calda afiada, mas sem efeito, Jason tem reflexos incríveis e desvia facilmente de cada um deles, mas com um descuido, a criatura consegue agarrar sua perna e o lança para longe, seu corpo se choca com varias rochas, atravessando-as, mas ele se levanta imediatamente.
- Até minha bisavó bate mais forte que isso.  Diz Jason limpando seu sobretudo.
- Seu... Verme! Ser não evoluído! Vocês são uma aberração! Grita o demônio liberando chamas pela boca.
- Sabe... O último demônio que eu enfrentei tinha frases de efeito bem mais convincentes... Você é muito clichê.          
- Já chega! Vou transformar você em cinzas! Exclama ele enchendo o peito de ar e cuspindo uma rajada de chamas azuis na direção de Jason.
Jason se defende com seu punhal, que parece absorver as chamas, assim que o demônio para de libera-las, a lamina de Jason parece arder, os símbolos nela cravados brilham imensamente.
- Valeu. Era exatamente disso que a Sophi estava precisando. Bem... Agora...
Jason estende a mão e o punhal se torna uma enorme espada flamejante com chamas azuis, as mesmas que Aberrátio lançou contra ele.
- Seu... Maldito! Você... Essa lâmina... Mas como? Pergunta o demônio surpreso e apreensivo.
Jason corre na direção da criatura, a mesma parece amedrontada, começa a recuar, acaba tropeçando e cai, Jason aproxima-se em alta velocidade, salta sobre ela e arranca sua cabeça com sua espada.
- Im-pos-sí-vel... Sussurra a criatura enquanto sua cabeça cai sobre o chão.
Lentamente a espada de Jason volta a tomar sua forma de punhal e as chamas desaparecem, ele a guarda e se aproxima do demônio que ainda está vivo mesmo decapitado.
- Seu... Verme... Maldito! Diz a criatura jorrando sangue pela boca.
- Eu disse. Você que escolheu o jeito mais difícil. Poderia ter deixado eu fazer o exorcismo e você teria voltado ileso para o inferno. Você fez sua escolha.
- Maldito... Você... Disse que não me mataria.
- Pois é... Eu mudei de ideia.
- Quem... É... Você?
- Quem eu sou? Você sabe. Eu sou... Um Valcon! Responde ele chutando a cabeça da criatura.
O corpo de Jason vai sumindo aos pouco  e sua alma volta para seu corpo, quando ele abre os olhos, a garota esta desacordada mas com uma aparência bem melhor, só está machucada, tudo parece ter acabado, todos retornam para a casa e a mãe da menina corre para abraça-la, Jason ajeita seu sobretudo e retira outro charuto do bolso.
- Obrigado Senhor. Muthas Gracias! Agradece o pai da garota.
- Aham. Lembrem-se. Eu nunca estive aqui. Meu pessoal vai cuidar da sua casa. Se perguntarem... Diga que foi uma explosão de gás. Apenas isso. Entendido?
- Sim senhor!
A garota vai recobrando a consciência, ao abrir os olhos, parece assustada, começa a chorar desesperadamente, Jason acende seu charuto e se retira da casa, um carro preto para a sua frente, a porta se abre e um homem  de terno preto o aguarda dentro dele.
- Desafio? Pergunta o homem.
- Nós dois sabemos que não. Qual a próxima missão?
- Não muito longe daqui. Vai precisar de ajuda nessa.
- Sabe que trabalho sozinho. Diz Jason dando uma tragada.
- Sei, sei... Jason...
- Preciso de uma bebida.
- Jason...
- O que? Pergunta ele ajeitando seu cabelo enquanto olha seu reflexo na janela do carro.
- Encontramos uma pista sobre ele.
Jason fica imóvel, seu olhar muda, lentamente ele olha para o homem com uma fisionomia seria.
- Onde?
- Bem... Será a sua missão descobrir.



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Em um piscar de olhos - FINAL



ATENÇÃO! VERSÃO PRÉVIA!
(Alterações podem ocorrer apenas na parte gramatical)


Ela me olhava com um sorriso, estava diferente, tinha pintado seu cabelo de preto, por incrível que pareça, parecia estar ainda mais bonita do que antes, mas estava aparentemente mais velha, fiquei olhando pra ela fixamente, minha mãe olhava pra mim confusa, Clara olhou pra mim e sorriu.
- Nossa... É bom te ver de pé... Acordado e...
- Oh Clara... Fui em sua direção e a abracei.
- Filho...
- Não. Tudo bem. Então você lembra meu nome. Disse ela me abraçando.
- O que? Como eu poderia esquecer... Você... Não...
- Sentem-se. Vou deixar vocês conversarem. Disse minha mãe se retirando.
Ela se sentou no sofá, lentamente eu também me sentei a sua frente, ela ainda estava sorrindo, mas tinha algo estranho, algo que eu temia mas não queria acreditar.
- Só me avisaram ontem. Peguei o primeiro voo pra São Paulo assim que soube. Parece que você já esta ciente de quem eu sou.
- Como poderia não estar?
- Eu vim o mais rápido que pude.
- Você... Não mora mais aqui?
- Não. Depois do que aconteceu... Eu voltei pra casa.
- Voltou?
- Sim. Graças a você. Lucas... Não tenho palavras pra descrever o quanto sou grata... Você... Eu devo minha vida a você. Disse ela se emocionando.
- Clara...
Ela olhou para um jarro na sala que tinha a rosa que ela havia me mandado, já estava murcha.
- Você trouxe a rosa... Todos os dias eu mandavam te entregar uma.
- É... Eu soube.
- Me perguntei todos esses anos do por que você arriscou sua vida pra me salvar. Sempre quis te perguntar isso. Nós nem nos conhecíamos.
- Então... Você não... Lembra de mim? Perguntei com os olhos cheios de lágrimas.
- O que? Lembro! Claro que sim. Você apareceu e tentou me dar concelhos, mas eu estava tão desesperada...
Era verdade, ela não se lembrava de mim, mesmo tentando segurar as lágrimas, parecia impossível, meu coração parecia estar se desmanchando dentro de mim.
- Não... Pode ser... Não pode ser... Repetia eu diversas vezes.
- Lucas... O que foi? Esta se sentindo bem? Por que esta chorando? Meu Deus, quer que eu chame sua mãe?
- Olha pra mim. Disse segurando sua mão e olhando nos seus olhos.
- Lucas...
- Me diz... Por favor... Você lembra de mim? Você me conhece?
- Eu... Não estou entendendo.
- Não pode ser verdade... Tudo aquilo... Clara... Olha pra mim... Você não lembra de nada?
- Do que eu tenho que me lembrar?
- De nós!
- Acho que você ainda esta se recuperando. Não foi uma boa ideia eu ter vindo aqui. Disse ela se levantando nervosa.
- Não! Não vai embora! Por favor! Olha pra mim!
- Desculpa... Eu não sei do que você esta falando. Agente se conheceu naquele dia.
- Não! Não! Eu te conheço a cinco anos! Eu passei todo esse tempo tentando salvar sua vida! Eu passei todo esse tempo tentando sair daquele maldito dia! Não posso aceitar que tudo foi uma mentira! Eu...
Minhas vistas escureceram, meu corpo ficou pesado, me sentia tonto, via tudo girar ao meu redor, minha mãe ouviu meus gritos, veio correndo da cozinha e me viu prestes a cair, eu podia ouvir suas vozes.
- Lucas? Jesus! Acho que ele vai desmaiar. Dizia Clara.
- Filho! O que houve? O que aconteceu?
- Eu... Eu... Não sei... Ele...
- Clara... Clara... Repeti seu nome até finalmente cair desacordado.
De repente eu me deparei com um lugar estranho, totalmente branco e que não parecia ter um final, fiquei olhando ao redor totalmente perdido.
- Olá?! Mas que diabos...
- Olá Lucas. Disse a mulher das rosas.
- Você...
- Sim. Eu.
- Onde... Onde estamos?
- Onde? Bem... Onde acha que estamos?
- Eu não sei...
- É... Estamos onde deveríamos estar. Simples assim.
- A Clara... Ela não...
- Não se lembra de você. Eu sei.
- Por que? Por que?! O que você fez?!
- O que eu fiz? O que você fez? Não se lembra?
- O que...
- Você fez uma escolha. Olhe pra sua mão direita.
Quando olhei pra minha mão, inexplicavelmente havia uma rosa branca, quando olhei para ela imediatamente comecei a chorar.
- Você fez sua escolha Lucas. Você escolheu salva-la.
- Mas...
- O que te prendia ao coma era o seu desejo imenso de salva-la mas sempre fracassar, enquanto você continuava tentando e não conseguindo, você permanecia em coma. Desde o momento em que você caiu daquela ponte, você desejou imensamente salvar aquela garota, e foi assim até sua queda.
- Eu... Não... Pode ser.
- Se tivesse escolhido a outra rosa. Você continuaria com ela, mas... Também continuaria em coma. Para sempre.
- Você me disse... Que ela quem estava presa.
- Eu te disse muitas coisas. Mas será mesmo que você absorveu tudo?
- O que... Então... Ela não se lembra de mim? Nunca vai se lembrar?
- Não. Nunca.
Cai de joelhos, eu chorava desesperadamente, meu peito ardia de dor, eu destrocei a rosa em pedaços, espalhei suas pétalas pelo chão, assim como meu coração.
- Então... Nada daquilo... Tudo que vi... Os lugares onde eu fui... As pessoas que conheci... Tudo que passei... Tudo que senti... Tudo que toquei... Todo o meu amor... Era tudo uma mentira? nada daquilo nunca aconteceu?
Ela virou de costas, começou a caminhar, olhou lentamente pra mim e disse:
- Sim... E não.
- O que?
- Me diga... No que você prefere acreditar?
- Eu...
Acordei de repente, estava numa cama de hospital novamente, minha mãe dormia em uma cadeira ao meu lado, eu ainda chorava, meus soluços acordaram minha mãe que logo me amparou.
- Filho! Graças a Deus você acordou! Pensei que te perderia de novo.
- Mãe... Cadê ela?
- Filho...
- Onde ela esta?!
- Ela se foi...
- O que?
- Ela ficou muito assustada. Achou melhor ir embora pra não fazer você piorar.
- Mãe... Ela não lembra de mim... Ela não lembra de mim...
- Filho...
- Mãe... Eu não sei quem eu sou... Eu não sei mais quem eu sou.
- Não fale assim... Você meu Lucas. Disse ela me abraçando.
Chorei em seus braços o resto da noite, fiquei mais um dia no hospital para exames de rotina, depois daquele dia, nunca mais eu vi a Clara, ela não atendia meus telefonemas, não ligava, eu tive que aceitar, a única coisa que me sobrava dela, eram as rosas brancas que todos os dias apareciam em frente a minha porta, sempre rosas brancas, pareciam querer me lembrar da minha escolha, uma escolha que talvez eu nunca tenha feito, se eu tivesse escolhido a rosa vermelha, talvez ainda estaria em coma até hoje, mas ao menos eu a veria todos os dias.
Depois de alguns meses, voltei a trabalhar no meu antigo emprego, estou pensando em entrar na faculdade, fui morar com minha mãe, estou me dando bem melhor com ela, aprendi a ver a vida de outro ângulo, estou lendo um livro sabe, é um ótimo livro, estou tentando seguir a vida, continuo fazendo o tratamento toda semana para recuperação do coma, e hoje estou aqui, com o senhor, enfim, essa é a minha historia.
- E que historia...
- Eu disse que não tinha um final feliz...
- Depende do ponto de vista.
- Sabe... O que mais me dói... É nunca saber se tudo aquilo... Realmente aconteceu um dia... Ou se foi tudo minha imaginação enquanto eu estava em coma. Droga. Desculpa, estou chorando de novo.
- Tudo bem Lucas. É natural se emocionar.
- O que o senhor acha? É uma historia maluca não é? No que eu deveria acreditar?
- Bem... Como psicólogo... Eu devo lhe dizer que já atendi dezenas de pacientes na mesma situação que você, pessoas que passaram anos, décadas em coma, e que quando acordaram disseram ter visto e ido a lugares extraordinários, vivido situações nunca imaginadas, ou até em épocas diferentes, viajando para o futuro e as vezes para o passado, perdidos no tempo... Em alguns casos, eles afirmaram ter ido a lugares que realmente existem! Mas que eles nunca tinham ido ou visto estes lugares antes de estar em coma, algo que nem a própria ciência pôde explicar... Mas como seu psicólogo deveria lhe dizer que tudo não passou de um sonho... E que toda essa sua experiência foi apenas seu cérebro agindo e lhe mantendo vivo, sem isso, talvez você estaria naquela cama ainda ou até pior, poderia ter morrido.
- É... Como imaginei...
- Mas quer saber... Como um amigo... Devo dizer... Pra você acreditar naquilo que te faça sentir melhor.
- Obrigado...
- Acho que terminamos por hoje. Você esta liberado. Obrigado por compartilhar sua historia comigo Lucas.
- Eu quem agradeço.
Neste momento Lucas retorna pra casa, era uma tarde ensolarada, ele caminhava tranquilamente, quando de longe, avista alguém na porta de sua casa, era uma garota, ele já sabia quem era, ao se aproximar ela vira-se e olha em seus olhos.
- Dessa vez. Eu trouxe a rosa pessoalmente. Disse ela lhe entregando uma rosa branca e vermelha.
- Isso... É...
- Achei que poderia estar cansado das rosas brancas. Resolvi... Diferenciar um pouco. Gostou?
- Não... Eu adorei...
- - Você me perguntou se eu te conhecia. Não. Eu não te conheço.
- Eu...
- Prazer. Clara Sampaio. Disse ela estendendo a mão.
- Prazer... Lucas Rocha.  É um prazer conhece-la. Clara... Disse ele apertando sua mão com os olhos repletos de lágrimas.

FIM

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Em um piscar de olhos - Capítulo XIX



ATENÇÃO! VERSÃO PRÉVIA!
(Alterações podem ocorrer apenas na parte gramatical)

Não dava pra acreditar, eu não podia acreditar, era algo que eu não assimilava, não tinha como eu ter ficado em coma todo esse tempo, é exatamente o período que fiquei preso no tempo, então tudo aquilo que passei foi um sonho? Me perguntava varias e varias vezes sem querer acreditar.
- Mãe... Diz que não é verdade... Mãe... Cadê a Clara?
- Calma. Injetem o sedativo. Ele esta muito nervoso. O choque foi forte. Disse o médico me segurando.
- Mãe! Me fala!
- Querido... Eu...
- Mãe! Por favor... Mãe... Mãe...
Minha cabeça foi ficando pesada, minhas vistas escureceram, comecei a perder a consciência, eu não conseguia respirar direito.
- Ele esta desmaiando! Rápido! Tragam o soro!
- O quê?! O que esta acontecendo com ele?! Gritava minha mãe.
- Calma senhora. Isso sempre acontece com pacientes no estado dele.
- Clara... Clara... Foram minhas últimas palavras antes de desmaiar.
Após perder a consciência eu via o rosto da Clara em minha mente, eu tentava alcança-la mas eu não me movia, como se algo me prendesse, estirei minha mão para alcançada, e de repente surgiu entre meus dedos uma rosa branca, fiquei sem entender, cada vez mais Clara se distanciava de mim e eu tentava alcança-la mas simplesmente não conseguia, de repente, eu acordei.
- Clara! Gritei acordando afoito.
- Lucas. Você acordou meu filho. Graças a Deus! Disse minha mãe me abraçando.
- Mãe... Então... É verdade...
- Filho! Achei que você dormiria pra sempre de novo. Eu não suportaria. Enfermeira! Enfermeira! Ele acordou!
- Mãe... Cadê ela?
- Quem meu amor?
- A Clara mãe! Cadê ela?
- Clara... Clara... Espere... A garota que caiu com você?
- Sim! Ela!
- Lucas. Que bom que acordou. Eu não disse senhora Rocha. Foi só um desmaio. Nada com que se preocupar. Disse o médico entrando no quarto.
- Fala mãe! Onde ela esta?
- Bem... Ela esta melhor que você.
- O que?! Então ela esta bem?
- Sim. Acho que sim... Mas... Você conhecia aquela moça?
- Onde ela está?! Eu quero vê-la.
- De quem ele esta falando? Perguntou o médico.
- Acho que é da garota que ele salvou. Aquela das rosas. Respondeu a enfermeira ajeitando meu travesseiro.
- Das... Rosas? Fiquei confuso.
- Sim. Todos os dias ela manda uma rosa pra você. Aqui uma delas. Respondeu ela mostrando um jarro com uma rosa branca dentro.
- É verdade. Por conta disso, seu quarto sempre cheira a rosas. Disse o medico sorrindo.
- O que... Mas... Isso...
- No que você estava pensando Lucas?! Por que fez aquela loucura? Poderia ter morrido! Você passou cinco anos nessa cama por causa disso! Por que?! Perguntava minha mãe em prantos.
- Mãe... Eu... Eu preciso vê-la. Eu quero vê-la! Exclamei tentando me levantar da cama.
- Calma, calma garoto. Você ainda não vai conseguir se levantar dessa cama. Você acabou de acordar de um coma. Seu corpo esta fraco.
- Então... A Clara vive? Ela... Esta viva?
- Sim.
- Onde ela esta? Onde?
- Na casa dela. Era mora em outra cidade agora.
- O que?
- Por que você não descansa? Depois falamos disso.
- Não mãe! Eu quero saber de tudo agora!
- Lucas...
- Agora!
- Vamos deixar vocês sozinhos. Qualquer coisa é só chamar. Vamos Jennifer. Disse o médico saindo junto com a enfermeira.
- Tchau Lucas.
- Mãe... Me fala! O que aconteceu?
- Bem... Você não se lembra de nada?
- Não... Eu me lembro... De muitas coisas... Muitas coisas... Mas disso... Não.
- Você estava voltando pra casa, disseram que essa garota, a Clara, estava prestes a saltar da ponte, queria se matar, você tentou conversar com ela, mas ela não quis te ouvir, assim que ela foi pular, você avançou em cima dela e a abraçou, os dois caíram, só que ela caiu sobre você, assim amortecendo a queda, vocês dois caíram em cima do capô de um caminhão que passava na hora, se não fosse isso, os dois teriam morrido, ela teve ferimentos leves, mas você bateu a cabeça no vidro e teve traumatismo craniano, ficando na UTI por três meses, depois disso entrou em coma e ficou nesta cama pelos próximos cinco anos, todos os dias após sair do hospital, essa garota vinha te visitar, trazia rosas e deixava do lado da sua cama, não sei qual sua relação com ela, mas depois de um tempo só as rosas chegavam, ela não vinha mais, não sei o que houve. Me diga, você a conhece?
Fiquei paralisado, meus olhos cheios de lágrimas minha expressão de surpreso demonstravam o quão impressionado eu estava, minha garganta deu um nó, senti uma dor vindo de dentro, era meu coração gritando desesperadamente, não podia ser verdade, estava feliz por a Clara estar bem, porém aquela historia que minha mãe me contara, não podia ser verdade, então tudo que passei, tudo que vi e vive, todos aqueles momentos com ela, todos aqueles dias, meses e anos foram uma mentira? Não podia ser verdade, era demais pra mim, eu chorava, soluçava e gritava, eu não conseguia aceitar, não queria aceitar.
- Lucas... Meu amor... Calma.
- Mãe... Por que?! Eu quero vê-la! Eu quero vê-la.
- Eu tentarei ligar pra ela. Mas você precisa se recuperar primeiro. Você ainda esta fraco. Não fará nada enquanto não se recuperar.
- Não! Ligue pra ela agora! Eu quero vê-la! Quero falar com ela!
- Calma... Calma...
Chorei o resto do dia, durante a noite continuei a chorar, nos dias seguintes era a coisa que eu mais fazia, chorar, parecia que toda dor que eu tinha no peito vazava dentre meus olhos, após três dias, retiraram todos os cabos que estavam no meu corpo, parei de usar a nebulização, conseguia mover as pernas direito, todos os dias eu chorava pedindo para ver a Clara, mas minha mãe queria que eu me recuperasse primeiro, na primeira semana pude levantar da cama, dei alguns passos, os médicos estavam surpresos com a minha recuperação rápida, mas o que eu queria mesmo era sair dali e ver a Clara.
Duas semanas depois, eu finalmente recebi alta, já conseguia andar, mas eu sai do hospital de cadeira de rodas, não queriam arriscar uma queda repentina, depois de cinco anos preso naquele lugar, finalmente eu via rostos novos, mas eu estava confuso, não queria conversar, tudo pra mim era estranho, eu não acreditava que aquilo era verdade, eu não sabia mais o que era real e o que era sonho, mas quando via os dias passarem, tive mais certeza que de fato era verdade, eu não estava mais no dia 12, não era mais dia dos namorados todo dia, o tempo passava, e quanto mais ele passava, mas eu tinha vontade de encontrar a Clara.
Três semanas depois, eu já caminhava, recebi a visita de rostos conhecidos, pessoas as quais eu não via a muito tempo, estavam diferentes, mais velhos, na verdade, todo mundo estava diferente, até mesmo eu.
- Olá Lucas! É bom te ver assim meu rapaz! Disse o senhor Castanhari, meu antigo chefe.
- Lucas! Não dá pra acreditar... Disse Walesca.
- É bom vê-los também...
- Como você se sente? Estou impressionado. Fiquei surpreso quando me contaram. Eu soube ontem.
- Eu... Estou... Bem. Me recuperando.
- Entendo. Só tenho uma coisa pra te dizer.
- O que?
- Você esta atrasado pro trabalho cinco anos. Disse ele rindo.
Pela primeira vez desde que acordei, eu ri, todos riram, até mesmo minha mãe, mas eu ainda me sentia vazio, faltava algo, eu sabia o que era, no dia seguinte, a campainha tocou, eu estava na sala assistindo tv, era incrível as coisas que passavam no noticiário, de fato cinco anos de historia haviam se passado, eu estava totalmente desatualizado, minha mãe foi abrir a porta, e meu coração gelou quando ouvi aquela voz.
- Bom dia. Eu soube que o Lucas acordou. Gostaria de vê-lo.
Era a voz dela, minhas pernas não me obedeceram, levantei cambaleando, quase que desmaiei, mas me mantive de pé, corri até a porta, quando vi aquele rosto meus olhos se encheram de lágrimas.
- Clara... É... Você.



terça-feira, 24 de junho de 2014

Em um piscar de olhos - Capítulo XVIII


ATENÇÃO! VERSÃO PRÉVIA!
(Alterações podem ocorrer apenas na parte gramatical)

Meus olhos doíam muito, ouvi um som estranho, parecia um monitor cardíaco, não compreendia ainda a situação, tentei me levantar, mas meu corpo estava fraco, tinha uma mascara de oxigênio no meu rosto, quando a tirei senti o ar ficar mais pesado, tentei respirar mais devagar, meu peito doía, me sentia lento e desordenado, quando finalmente meus olhos puderam ver com mais clareza, notei que eu estava em um quarto de hospital.
- Mas o que...
Tinha vários tubos e aparelhos presos no meu peito, tirei um a um com muita dificuldade pois era doloroso, quando finalmente consegui respirar normalmente, tentei pedir ajuda.
- Olá?! Alguém?! Olá?!
Logo uma enfermeira apareceu, abriu a porta fez uma cara de surpresa, parecia não acreditar, não disse nada, apenas fez sinal para eu aguardar e saiu correndo, fiquei ainda mais confuso, meu peito doía muito, meus olhos ardiam demais e era difícil mover o pescoço, era uma sensação estranha, não conseguia raciocinar direito, tudo era confuso, minha cabeça girava, logo me venho um enjoou e acabei vomitando e caí no chão.
A enfermeira voltou com dois enfermeiros e um médico, eles me  levantaram e me puseram na cama de novo.
- Tragam a fixa dele, que horas ele acordou? Perguntou o médico.
- Agora doutor. Não tem nem cinco minutos.
- Já avisaram aos parentes?
- Estão ligando nesse exato momento.
- Lucas? Como esta se sentindo? Perguntou o médico apontando uma lanterna para os meus olhos.
- Eu... Me sinto fraco... Tonto...
- A luz te incomoda?
- Sim... Onde esta a Clara?
- Clara? Já estão avisando sua família. Tenha calma. Só responda as minhas perguntas.
- Mas...
- O que mais esta sentindo?
- Meu corpo... Esta fraco.
- Entendo... É normal. Deixe me ver... Levante o braço esquerdo.
Levantei lentamente, era difícil mas eu consegui.
- Ótimo... Agora o outro.
- É difícil...
- Consegue mexer os dedos do pé?
- Sim.
- Deixe me ver.
- Esta bem.
Mexi os dedos, ele aproximou-se e ficou observando, olhei para todos no quarto, pareciam surpresos, o medico anotava alguma coisa em uma prancheta, eu estava cada vez mais confuso.
- Ótimo. Consegue dobrar os joelhos?
- Acho... Que sim.
- Mostre-me.
Dobrei com dificuldade os joelhos, minhas pernas estavam pesadas, lentamente fui levantando elas, porém parei pois era muito difícil.
- Cadê a Clara?
- Calma. Já estamos avisando a todos. Vai ficar tudo bem.
- Eu não entendo...
- Tudo pode parecer confuso agora, é normal. Mas logo tudo será esclarecido. Só fique calmo.
- Por que eu não consigo me levantar?
- Seu corpo esta fraco. É normal.
- É... Eu me sinto fraco.
- Do que você se lembra?
- Eu... Eu...
Logo veio em minha mente, o tiro, a Clara gritando, tudo parecia tão confuso, minha cabeça doía.
- Lucas? Fique comigo. Disse ele levantando minha cabeça.
- Eu... Me lembro... Dos assaltantes... Eles apareceram do nada... Eu não esperava por aquilo... A Clara... Eles iriam machuca-la... Não podia permitir... Tinha que salva-la...
- Assaltantes... Sei... Disse ele olhando para a enfermeira a sua frente.
- Eu... Levei um tiro... Eu levei...
- Tiro? Perguntou ele aparentemente confuso e surpreso.
- A fixa dele senhor. Disse a enfermeira entregando uma prancheta para ele.
- Sim... Eu levei... Espera...
Levei a mão até minhas costas, não senti o lugar do tiro, não havia nenhum curativo, ou ferimento, mas minhas costas doíam, não conseguia entender, fiquei apavorado.
- Lucas... Estou vendo seus registros aqui... Você não levou um tiro.
- O que... Como assim? Do que vocês estão falando? Cadê a Clara? perguntei começando a alterar a voz.
- Lucas... Calma... Tente se lembrar...
- Eu me lembro! Levei um tiro! Chamem a Clara! Eu quero vê-la! Cadê a Clara?! Comecei a gritar.
- Calma. Calma. Diziam todos me segurando.
- Você não pode se esforçar demais Lucas... Pessoas no seu estado costumam ficar confusas. É normal.
- No meu estado? De que porra você esta falando?!
- Doutor, a mãe dele esta a caminho.
- Ótimo.
- O que? Minha mãe?
- Sim Lucas. Não é ótimo? Ela ficará muito feliz em vê-lo acordado.
- O que? Mas que porra... Que dia... É hoje? Quarta feira? Perguntei com o coração acelerado.
- Não Lucas... Hoje... É sábado.
- O que... Por quanto tempo... Eu... Estou aqui?
Neste momento um ficou olhando para cara do outro, pareciam apreensivos, depois começaram a me olhar, nos seus olhos eu via que tinham algo pra me dizer de muito ruim.
- Lucas... Você... Estava em coma.
- O... Que...
Meu corpo travou, me arrepiei inteiro, minha boca secou e meu coração batia tão forte que achei que atravessaria o peito.
- Em... Coma... Por quanto tempo?
O medico se sentou na cama ao meu lado, olhou pra mim e pôs a mão no meu ombro, naquele momento meus olhos já estavam transbordando lágrimas.
- Cinco anos.
- Não... Pode ser... Não... Isso... Não é verdade... Não pode ser verdade!
- Calma.
- Eu fiquei em coma por causa de um tiro?! Gritei olhando pra todos eles.
- Não Lucas. Você ficou em coma todo esse tempo... Depois de cair de uma ponte tentando salvar uma garota. Respondeu ele olhando a prancheta.
- O que... A Clara... Onde ela esta? Cadê a Clara?!
- Lucas! Exclamou minha mãe abrindo a porta do quarto.
- Mãe! Cadê a Clara mãe?! Cadê ela? Me diz! Me diz! Eu gritava e chorava.
Todos olhavam um para o outro, minha mãe me abraçava em prantos, eu não podia acreditar no que estava acontecendo, eu gritava tanto que minha garganta doía.
- Cadê ela mãe?! Cadê a Clara?! Me falem!


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