Avisos:

Já tentou ser feliz hoje? O que está esperando? Não espere a felicidade bater na sua porta, saia a procura dela.

domingo, 21 de setembro de 2014

The Aliance




 Um vento frio arrepia cada centímetro de seu corpo, ele caminha em direção a uma casa, a rua esta vazia, já é tarde, provavelmente todos estão dormindo, ele enfia a mão em seu bolso e retira um charuto, dá uma longa tragada enquanto olha atentamente para lua amarela e brilhante.
A passos curtos ele se aproxima da casa, antes mesmo que toque a campainha, um homem abre a porta lentamente e o encara com um olhar de medo. Os dois se olham por alguns segundos.
- Onde ela está?
- Na sala.
Levemente, ele empurra o homem e adentra a casa, lá haviam mais três pessoas, duas mulheres e um segundo homem, todos parecem assustados e com olhares desconfiados.
- Espere... Não é seguro... Diz o homem.
Ele para, todos ao seu redor ficam calados, um clima tenso fica cada vez mais sufocante.
- Fiquem lá fora. Não entrem em hipótese alguma. Diz ele caminhando até a sala.
Eles olham uns para os outros, a mulher beija um rosário enquanto a outra se desfaz em lágrimas.
- Não entenderam? Fora!
Todos saem apressados, a sala estava repleta de crucifixos, as janelas estavam embaçadas, um ar gelado e sombrio, no centro, em sentada em uma cadeira, uma garota que aparentava ter entre dezesseis a vinte anos, cabelos negros e pele pálida, estava de costas para ele, não se movia, ao se aproximar ele nota que suas mãos estão amarradas a cadeira, ele dá um passo para trás.
- Está confortável? Pergunta ele.
Ela permanece calada e imóvel, ele se senta no sofá e dá mais uma longa tragada em seu charuto, mas sutilmente observa os dedos machucados e sem unhas da garota.
- Se quiser, conheço uma boa manicure que pode dar um jeito nisso.
A garota continua em silêncio.
- Sério. Ela faz um ótimo trabalho. Da última vez ela me tirou uma unha encravada que estava me incomodando há anos e...
- Quem... É... Você? Pergunta ela com uma voz sinistra, as luzes da sala piscaram enquanto ela falava.
- Há... Então você fala. Mas parece que está com um probleminha na garganta. Conheço uma bala de menta que olha... É Santa!
- Quem é você?! Exclama ela com uma voz ainda mais sinistra.
- Desculpa. Não me apresentei. Meu nome é Jason... Jason Horckis.
- Então senhor Horckis... Espero que vá embora agora, antes que se machuque.
- Você não me disse seu nome. Retruca Jason dando mais uma tragada.
- Há-Há. Muito esperto.
- O que? Não vai me dizer? Isso é falta de educação sabia?
- Eu sei quem você é. Senti seu fedor de putrefação a quilômetros daqui.
- Sabe? Então por que perguntou meu nome?
- Por que gosto de saber o nome de quem vou matar.
- Há sei... Entendo. Faz sentido. Respeito isso.
- Farei você se afogar com o próprio sangue, terei prazer em vê-lo agonizar diante de mim, implorando que eu termine sua dor.
- Acho que isso não vai acontecer.
- Acha mesmo que estas cordas podem me segurar. Eu já poderia tê-lo matado, você e estes macacos lá fora.
- Você esta bem falante agora.
- Há-há-há-há-há! Estas paredes ficaram manchadas por seu sangue podre e suas vísceras nojentas! Há-há-há-há!
- Ninguém vai morrer esta noite. Nem mesmo você.
- É obvio que eu não morrerei! Irei pisar sobre seus cadáveres e tomarei uma taça de seu sangue.
- Você não vai morrer. Só vai voltar pro seu devido lugar.
- Vocês Valcons são todos iguais. Chega de conversa...
A casa começa a tremer, as luzes acendem e apagam, um a um os crucifixos vão caindo da parede e as cordas que a prendiam na cadeira entram em combustão, Jason parece não se incomodar com o ocorrido, pelo contrário, dá mais uma longa tragada em seu charuto.
Ela se levanta da cadeira e aos poucos vai se virando, quando finalmente seu rosto pode ser visto claramente, totalmente desfigurado, olhos vermelhos e feridas por todo seu corpo, aparentemente feitas por ela mesma, a casa inteira treme, todos do lado de fora se apavoram e saem correndo para longe, Jason se levanta calmamente e joga fora seu charuto, com um olhar debochado diz:
- Parece que diplomacia não funciona com vocês mesmo. Pois bem... Isso é ótimo.
- Eu vou arrancar seu intestino e joga-los para os meus cães! Exclama ela levitando e destruindo o telhado da casa.
- Já disse. Não vai rolar. Diz ele retirando um enorme crucifixo de prata de seu sobretudo.
- Seu Valcon imundo! Ela avança sobre ele com uma feição demoníaca.
Jason aponta seu crucifixo que gera uma grande luz, lançando o corpo dela para o chão, correntes brilhantes surgem e cobrem seu corpo, ela grita com uma voz aterrorizante.
- Acho que agora sim você está confortável. Debocha Jason.
- Nós dois sabemos que isso não irá me impedir! Exclama ela tentando se levantar.
- Eu sei. Só usei isso para ganhar tempo. Diz Jason retirando do bolso um pequeno livro.
- Está falando sério? Exorcismo? Pergunta ela a gargalhadas.
- Ué? Tem outra sugestão?
- Vocês são ridículos. Sua inferioridade me causa náuseas.
- Ok. Vamos lá.
Antes que Jason comece a ler, todas as páginas são arrancadas por um vento causado pelo demônio.
- Acho que seu exorcismo... “Não vai rolar!”. Ironiza o demônio a gargalhadas.
- Bem. Então você quer pelo jeito mais difícil... Tudo bem. Admiro sua coragem. Diz Jason jogando a capa vazia do livro.
Jason ajoelha em cima da garota, agarra seu rosto demoníaco e olha em seus olhos vermelhos como sangue, as paredes da casa estão prestes a ruir, seu sobretudo flutua com o vento forte que vem do corpo da garota.
- Está brincando comigo Valcon imundo! Acha mesmo que pode fazer isso?! Eu vou te destroçar!
- Você não me deu outra escolha.
- Então entre! Vamos! Ficarei com a sua alma também! Vou te estuprar por toda eternidade!
- Desculpa ai. Mas eu prefiro loiras.
- Há-há-h-há! Isso vai ser divertido!
- Não tenha tanta certeza disso! Diz Jason olhando fixamente para os olhos dela.
Os olhos de Jason ficam negros como a noite, uma sombra toma conta de seu rosto, e uma energia obscura fica entre seus olhos e os olhos do demônio, de repente ele está em outro local, um ambiente tenebroso, um céu vermelho, ruínas e chamas negras por toda parte, ele está em outro lugar, um lugar onde habita todos os demônios que ficam entre a terra e o inferno, ele está no Limbo.
- Bem vindo! Agora você está no meu território... Valcon! Diz uma voz sombria.
- Faz tempo que não venho a este lugar. Está meio caidinho. Diz Jason sorrindo.
- Há-há-há. Muito engraçado. Até parece que você já veio aqui e conseguiu regressar. Um reles Valcon comum como você jamais conseguiria este feito.
- Estou vendo que você não me conhece mesmo.
- Bem... Não se preocupe... Teremos muito tempo pra nos conhecer... Teremos toda a eternidade... Já que a sua alma JAMAIS sairá deste lugar. Pena que eu logo irei conseguir entrar de vez na Terra, mas meus irmãos farão companhia para você.
- Desculpe. Eu não curto muito cheiro de enxofre no meu cangote. Vou recusar a oferta.
- Há-há-há... Estou cansado das suas piadinhas... Vou fazer você chorar sangue e vomitar o próprio estomago! Diz o demônio surgindo a frente de Jason.
Sua verdadeira forma é aterrorizante, um ser de três metros, chifres enormes e olhos em chamas, dentes afiados, uma calda cheia de espinhos, azas enormes e garras mortais.
- Trema diante de Aberrátio! Exclama o demônio estufando o peito.
- Finalmente deu as caras. Você é mais feio que o último. Vocês tem alguma competição interna de feiura? Se tiver, até o momento você saiu na frente. Parabéns.
  - Inseto! Grita a criatura dando um soco na direção dele.
Jason desvia do golpe facilmente, sacando um punhal com símbolos cravados em sua lamina, Jason mudou sua feição, agora parece concentrado e com um olhar letal, o demônio percebe essa mudança.
- Valcon... Maldito! Exclama ele com um rugido ensurdecedor e avança na direção de Jason.
Jason salta sobre a criatura arrancando um de seus enormes chifres, que fica cravado sobre o chão, Aberrátio fica enfurecido com isso e novamente avança contra ele.
- Como ousa! Exclama o demônio enfurecido.
Jason desvia de todos os seus golpes, Aberrátio o ataca tanto com suas garras quanto com sua calda afiada, mas sem efeito, Jason tem reflexos incríveis e desvia facilmente de cada um deles, mas com um descuido, a criatura consegue agarrar sua perna e o lança para longe, seu corpo se choca com varias rochas, atravessando-as, mas ele se levanta imediatamente.
- Até minha bisavó bate mais forte que isso.  Diz Jason limpando seu sobretudo.
- Seu... Verme! Ser não evoluído! Vocês são uma aberração! Grita o demônio liberando chamas pela boca.
- Sabe... O último demônio que eu enfrentei tinha frases de efeito bem mais convincentes... Você é muito clichê.          
- Já chega! Vou transformar você em cinzas! Exclama ele enchendo o peito de ar e cuspindo uma rajada de chamas azuis na direção de Jason.
Jason se defende com seu punhal, que parece absorver as chamas, assim que o demônio para de libera-las, a lamina de Jason parece arder, os símbolos nela cravados brilham imensamente.
- Valeu. Era exatamente disso que a Sophi estava precisando. Bem... Agora...
Jason estende a mão e o punhal se torna uma enorme espada flamejante com chamas azuis, as mesmas que Aberrátio lançou contra ele.
- Seu... Maldito! Você... Essa lâmina... Mas como? Pergunta o demônio surpreso e apreensivo.
Jason corre na direção da criatura, a mesma parece amedrontada, começa a recuar, acaba tropeçando e cai, Jason aproxima-se em alta velocidade, salta sobre ela e arranca sua cabeça com sua espada.
- Im-pos-sí-vel... Sussurra a criatura enquanto sua cabeça cai sobre o chão.
Lentamente a espada de Jason volta a tomar sua forma de punhal e as chamas desaparecem, ele a guarda e se aproxima do demônio que ainda está vivo mesmo decapitado.
- Seu... Verme... Maldito! Diz a criatura jorrando sangue pela boca.
- Eu disse. Você que escolheu o jeito mais difícil. Poderia ter deixado eu fazer o exorcismo e você teria voltado ileso para o inferno. Você fez sua escolha.
- Maldito... Você... Disse que não me mataria.
- Pois é... Eu mudei de ideia.
- Quem... É... Você?
- Quem eu sou? Você sabe. Eu sou... Um Valcon! Responde ele chutando a cabeça da criatura.
O corpo de Jason vai sumindo aos pouco  e sua alma volta para seu corpo, quando ele abre os olhos, a garota esta desacordada mas com uma aparência bem melhor, só está machucada, tudo parece ter acabado, todos retornam para a casa e a mãe da menina corre para abraça-la, Jason ajeita seu sobretudo e retira outro charuto do bolso.
- Obrigado Senhor. Muthas Gracias! Agradece o pai da garota.
- Aham. Lembrem-se. Eu nunca estive aqui. Meu pessoal vai cuidar da sua casa. Se perguntarem... Diga que foi uma explosão de gás. Apenas isso. Entendido?
- Sim senhor!
A garota vai recobrando a consciência, ao abrir os olhos, parece assustada, começa a chorar desesperadamente, Jason acende seu charuto e se retira da casa, um carro preto para a sua frente, a porta se abre e um homem  de terno preto o aguarda dentro dele.
- Desafio? Pergunta o homem.
- Nós dois sabemos que não. Qual a próxima missão?
- Não muito longe daqui. Vai precisar de ajuda nessa.
- Sabe que trabalho sozinho. Diz Jason dando uma tragada.
- Sei, sei... Jason...
- Preciso de uma bebida.
- Jason...
- O que? Pergunta ele ajeitando seu cabelo enquanto olha seu reflexo na janela do carro.
- Encontramos uma pista sobre ele.
Jason fica imóvel, seu olhar muda, lentamente ele olha para o homem com uma fisionomia seria.
- Onde?
- Bem... Será a sua missão descobrir.



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